Pato no Corinthians, Montillo no Santos. Robinho em negociação com o Galo. Os nomes são de primeira grandeza, os valores também. O surpreendente nível de negociações do mercado brasileiro tem surpreendido, mas também assustado. Enquanto alguns clubes gastam fortunas com jogadores de nome, alguns esperam a boa vontade dos rivais para reforços pontuais.
O Bahia contratou apenas três jogadores. A princípio, nenhum deles chega para ser titular. A situação evidencia as dificuldades de mercado para os times sem caixa. Nesta sexta-feira, o técnico do Tricolor deu a primeira entrevista coletiva do ano e mostrou preocupação com a situação. Jorginho chegou a brincar ao dizer que sugeriu a contratação do argentino Montillo, negociado com o Santos por € 6 milhões (cerca de R$ 16,2 milhões).
- São poucos os times que tem condições de contratar. Futebol já está caro. Hoje eu vi o vice de futebol do Flamengo falar a mesma coisa. Ele disse que não pode contratar ninguém. Os atletas estão difíceis. O que gostaríamos não vai acontecer. Não nos reforçamos muito e nem vamos. Temos que tentar ver o que temos na base, sei que não vão resolver, e não podemos cobrar desses garotos. Montillo foi um que tentamos. O Paulo (Angioni) até teve uma conversa lá com o pessoal do Cruzeiro. O presidente até conversou com ele, mas era inviável – ironizou o treinador, antes de continuar - Olha os valores, cara. Para o futebol brasileiro é absurdo. Até porque quem abre o portão para mim não sabe nem o quanto custa isso. Eu tenho medo do futuro, de quando isso estourar – disse.
Na primeira entrevista, Jorginho mostrou preocupação com o futuro (Foto: Divulgação / Esporte Clube Bahia)
Jorginho se mostrou decepcionado com a falta de reforços. Para ele, o Bahia precisava de jogadores que mudassem o estilo de jogo do elenco. Para ele, o Tricolor terá problemas ao enfrentar adversários que conheçam o seu estilo de jogo, que não será muito diferente do Bahia de 2012. No entanto, o treinador não culpou a diretoria pelo falta de novidades.
- A base pode ajudar, mas sabemos que as dificuldades são as mesmas. Se tiver alguém que vai saber dos nossos defeitos e se precaver e na dificuldade se torna complicado. Vamos ter problemas com quem vai jogar dentro dos nossos defeitos. Precisamos de alguma coisa para mudar. Não é questão de não ter qualidade. O Bahia tem bons jogadores, mas de uma forma única. Tudo se torna mais difícil, mas vamos lutar com as armas que temos. Não sei se todos vão ficar. Alguns podem até ser negociados. Alguns vão ser apostas porque é o que dá pra fazer. Entendo a torcida, acho que ela tem razão. Mas alguns clubes começaram a cair em si. O que o vice do Flamengo disse foi muito importante: “Primeiro eu tenho que resolver meus problemas aqui e depois trazer reforços”. Acho que o Bahia está agindo assim. Parabéns para a diretoria quer um Bahia forte no futuro. Não dá para abrir as pernas mais do que pode – disse o treinador.
Jorginho explicou as contratações feitas até o momento e reforçou a dificuldade em trazer novos jogadores.
- Está difícil. Fizemos contratações pontuais. O Brinner veio com a saída do Fonseca. Ele foi sugestão minha, porque eu não indico ninguém. Eu sugiro nomes. Até porque ninguém é dono da razão. Um jogador que já trabalhou comigo pode vir e não dar certo, enquanto um que nunca vi, pode dar. Douglas, o goleiro, veio porque havia uma necessidade. O Ricardo Palmeira (preparador de goleiros) foi quem indicou. O Thuram foi uma sugestão minha e veio cobrir a saída do Rafael (emprestado para o DC United). Estive com esse menino um pouco no Atlético-PR e depois ele foi emprestado, mas fez um campeonato de razoável para bom. Além disso, não tinha custo, não ia ter problema trazê-lo – disse.
Apesar das dificuldades, Jorginho finalizou a entrevista com uma mensagem de esperança para o torcedor.
- O futuro não me pertence, mas temos que ter esperança de uma melhora.
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