Bruno Andrade - 05/10/2012 - 08:30 São Paulo (SP)

Ricardo Jasinthe e Mackenson Fenelon lutam por um futuro melhor (Foto: Ari Ferreira) O Haiti está longe de ser o país do futebol, mas pode ter no esporte, graças ao projeto Viva Rio, esperança de futuro para jovens que, em grande parte, vivem em condição extrema de pobreza.
Com apoio da Federação Haitiana de Futebol (FHF) e da Fifa, a ONG brasileira gerencia a Academia de Futebol Pérolas Negras, de olho na profissionalização do esporte mais popular do mundo no país mais pobre da América Latina.
A ideia de investir no futebol surgiu dias depois do assustador terremoto que varreu a capital Porto Príncipe em janeiro de 2010. Na ocasião, 200 mil pessoas morreram e cerca de 1 milhão ficaram desalojadas.
Pouco mais de dois anos após a tragédia, dois garotos do Pérolas Negras começam a colher os frutos da ação social. Ricardo Jasinthe, 17 anos, e Mackenson Fenelon, 14, chegaram ao Brasil na última semana para um período de treinos e aulas de português no Audax-SP.
Zagueiro e fã de Thiago Silva, Ricardo vai integrar a categoria juvenil. Se há dois anos ele chorava a perda de pessoas próximas, hoje ele vive a expectativa de jogar a Copa São Paulo de Futebol Júnior em 2013.
– Estou feliz com a chance de iniciar o sonho de ser jogador de futebol. Quem sabe, no futuro, eu possa ajudar minha família e ter sucesso como profissional. Hoje, minha família é o Fenelon. Queremos nos tornar os orgulhos do Haiti – declarou.
Tímido e de família humilde, Fenelon sequer tinha uma chuteira antes de conhecer o Pérolas Negras. Mas para o meia as dificuldades ficaram no passado. Apesar da timidez, ele tem personalidade forte.
– Não gosto do Neymar, acho que ele enfeita muito. Mas cada atleta joga de uma maneira. Quero mostrar o meu valor aqui no Brasil e provar que os haitianos têm qualidade – disse o jovem, que vai atuar na divisão infantil.
Juntos, Ricardo Jasinthe e Mackenson Fenelon representam a esperança para o sofrido povo haitiano. São verdadeiras pérolas negras prontas para brilhar.
Bate-Bola - Coronel Ubiratan Angelo (Coordenador do Viva Rio no Haiti)
LANCENET!: Como surgiu o projeto de investir no futebol haitiano?
Ubiratan Angelo: A paixão do povo haitiano pelo futebol é uma coisa espetacular. Eles são apaixonados pelo Brasil. Pensando nessa paixão, resolvemos investir no esporte e, assim, aumentar o leque de oportunidades profissionais no país. Com parcerias, começamos a buscar e potencializar novos talentos.
LNET!: Acredita no talento do jogador haitiano? Eles têm qualidade?
UA: O Haiti é conhecido pelo futebol de rua. Lá, temos campeonatos nacionais desta modalidade. Eles têm um jeito alegre e descontraído de jogar bola. Existem diversas pérolas negras dentro das ostras no Haiti. Queremos achá-las.
LNET!: O Ricardo e o Fenelon têm noção da oportunidade que receberam?
UA: Eles são jovens e querem crescer na vida. Os dois não têm a perfeita noção da oportunidade, mas entenderam a mudança. Eles já sonham em trazer as famílias pra cá. Com determinção, eles sabem que podem garantir o futuro aqui.
Com a palavra (Thiago Scuro - Gerente executivo do Audax-SP)
"Cheguei no Haiti e me deparei com um pais destruído. No meio dessa adversidade, encontrei o Pérolas Negras, com centro de treinamento equipado com campos, academia, escola e profissionais desenvolvendo o trabalho de formação do cidadão e atleta. Queremos dar sequência deste trabalho no Brasil.
Com aval do Pérolas, defini a vinda do Ricardo e do Fenelon para o Audax. Espero que eles possam aproveitar ao máximo essa experiência de vida e esportiva."
Viva Rio no Haiti
Projeto
Desde 2004, a ONG participa de uma missão de paz no Haiti. A instituição já promoveu a assinatura de cinco acordos de paz entre grupos rivais e desenvolve programas nas áreas de segurança, educação, saúde, meio ambiente, cultura e esporte.
Pérolas Negras
Na área esportiva, o Viva Rio adminstra a Academia de Futebol Pérolas Negras, que conta com três parceiros: Fifa, Federação Haitiana de Futebol e Audax-SP. A ideia é formar novos talentos dentro do futebol.